Siarom Selopreih
A vida é poesia efêmera, que pereniza a nossa história.
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Perda
Quem sabia de mim
Já não está aqui
Já não atende minhas ligações
Já não me lembra de episódios infantis
Já não me conta como eu era
Já não me espera para contar gostosas e repetidas histórias

Quem de mim sabia
Aqui já não está
Minhas ligações já não atende
De episódios infantis já não me lembra
Como eu era já não me conta
Para contar gostosas e repetidas histórias já não me espera

Quem era antes de eu ser
Partiu

Agora sou eu quem te conta como era tua infância
Sou eu quem repete infindas versões das lembranças de outrora
Sou eu quem, no romper da aurora, atravessa a ponte pra rua do sol
Iluminando meus pensamentos
Aquecendo meu coração de lembranças tuas
Que um dia, também, não terás de quem ouvir

Dói em mim saber que estou só de quem veio antes de mim
E tenho dó de saber que sou quem veio antes de ti
E que um dia serás quem veio depois de mim
E que a mim não terás
E, portanto, estarás só

Há muito movimento na ponte
Transeuntes pra lá e pra cá
Eu?
Eu estou
Atravessando a ponte pra Rua do Sol
Siarom Selopreih
Enviado por Siarom Selopreih em 23/03/2026
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